quinta-feira, 15 de maio de 2014

O Centenário Marguerite Duras




Centenário Marguerite Duras

(15 a 23 de maio)
Cinemateca Brasileira, CINUSP e FFLCH – USP (Cidade Universitária)
Entrada franca


Marguerite Duras, escritora de família francesa nascida no Vietnã em 1914 e autora do romance autobiográfico O Amante, ganha uma retrospectiva em Colóquio Internacional e Mostra que acontecem em São Paulo entre os dias 15 e 23 de maio.  Maurício Ayer, um dos membros da comissão organizadora (Verônica Galindez-Jorge, Gloria Carneiro do Amaral, Maria Cristina Vianna Kuntz, Vivian Yoshie Martins Morizono e o próprio Maurício), conta que a equipe de professores e entusiastas que idealizou o evento já participa de atividades internacionais sobre Duras há dez anos, tendo ele mesmo feito parte da curadoria de uma mostra sobre a escritora em 2009.


O trabalho de Marguerite Duras no cinema é composto por dissociação de imagem e som, numa colagem sonora em que certas personagens aparecem somente por meio de vozes, sem imagens. "Ela faz uma orquestração de luzes, movimentos dos atores, danças, falas. Um trabalho bastante consciente de estruturação dos tempos, assim como numa composição musical. Marguerite dizia que o filme é feito como uma música, é composto, assim como um texto"discute Maurício Ayer.

Patrícia Homsi

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Festival leva filmes brasileiros à Londres

Em sua sexta edição, o Brazilian Film Festival of London proporciona por mais uma vez a aproximação da cultura cinematográfica contemporânea do Brasil com a dos ingleses, em cinco dias de exibição de consagrados filmes e documentários nativos.


O homenageado deste ano será Vinícius de Moraes, devido ao centenário do poeta, e Vinícius, o filme (2005), com direção de Miguel Faria Jr, será exibido no próximo domingo (11), às 16h. O público poderá assistir ainda a onze filmes e nove curtas-metragens, dispostos nos períodos da tarde e da noite no Odeon Covent Garden, além de um festival gastronômico com comida típica brasileira distribuída em restaurantes espalhados pela cidade.

Orfeu (1999), de Cacá Diegues, abrirá a maratona de filmes às 18h desta sexta-feira (9), sendo seguido de Gata velha ainda mia (2013), de Rafael Primot, às 20h30. Entre os outros destaques estão Tatuagem (Hilton Lacerda), Cidade de Deus – 10 anos depois (Cavi Borges e Luciano Vidigal), Revelando Sebastião Salgado, (Betse de Paula) e Mato sem cachorro (Pedro Amorim), além de Serra Pelada (Heitor Dhalia), que será o responsável pelo fechamento do festival.

"Tatuagem", de Hilton Lacerda

Gabriela Soutello

quinta-feira, 1 de maio de 2014

In-Edit 2014

Com o intuito de apresentar novos pontos de vistas, que convidam o espectador a refletir sobre o tempo presente, o In-Edit, principal festival de documentários musicais do país, chega à sua sexta edição. “Sempre procuramos escolher os filmes que tenham um apelo de contar essas histórias da melhor maneira possível. Nos importamos muito com a linguagem cinematográfica”, conta o organizador do festival Marcelo Aliche.

Além de toda a programação refletir essa escolha, a busca por novos olhares também fica evidente na presença de Frank Scheffer como diretor convidado e homenageado. O holandês é conhecido por retratar a vanguarda da música de maneira nada convencional, fazendo da câmera um instrumento de investigação dos sujeitos e utilizando a música como elemento que imprime sentido às cenas. “Ele trabalha com músicos de vanguarda pouco populares, que são famosos, mas que não necessariamente atraem uma legião de fãs”, diz Aliche, referindo-se a Frank Zappa, Brian Eno e John Cage, todos já devidamente registrados por Scheffer nos documentários Frank Zappa: A Pioneer to the future of music, Music for airports e How to get out of the Cage, respectivamente. Todos estarão em exibição durante os dias de festival.


Finding Fela (2014), de Alex Gibney

Ao diretor Alex Gibney foi dada a tarefa de filmar os ensaios e os bastidores da primeira apresentação do musical Fela! na cidade de Lagos, na Nigéria – terra natal de Fela Kuti, criador do Afrobeat e importante voz política da África na metade do século passado. Deste material inicial, originou-se a concepção de Finding Fela, que, partindo de outras mil e duzentas horas de filmagens inéditas, se propõe a acompanhar a trajetória musical e política de Fela Kuti, desde a infância até sua morte, aos 58 anos, em decorrência de complicações originadas do vírus do HIV. Músicos como Questlove, da banda The Roots, Tony Allen e Paul McCartney discorrem sobre a importância dos experimentalismos musicais de Fela no início dos anos 1970.

10/05, sábado 15h, CINESESC
11/05, domingo, 20h30, CINEMATECA


Twenty Feet From Stardom (2013), de Morgan Neville

O filme do norte-americano Morgan Neville, vencedor do Oscar 2014 de melhor documentário, aponta os holofotes para as mulheres que raramente ocupam o centro do palco. São as histórias de Darlene Love, Táta Veja, Judith Hall e Lisa Fischer – backing vocals de figuras grandiosas da música como Stevie Wonder e Bruce Springsteen – as responsáveis por conduzir a narrativa. Encorajadas a assumir uma carreira musical a partir da invasão britânica dos anos 1970, elas compartilham a sensação agridoce de viverem muito próximas do estrelato e do showbizz, mas ainda permanecerem anônimas para a maior parte do público.

01/05, quinta, 19h, CINESESC
04/05, domingo, 20h30, CINEMATECA
11/05, domingo, 17h, CINESESC


As time goes by in Shanghai (2013), de Uli Gaulke

Curiosamente, a banda de jazz mais antiga do mundo é chinesa – o membro mais jovem do grupo é um senhor de 76 anos. Iniciada no final nos anos 1940, a Shanghai’s Peace Old Jazz Band se apresenta todas as noites, há trinta anos, no Peace Hotel, em Xangai. Em As times goes by in Shangai – um dos principais documentários musicais de 2012 – o diretor Uli Gaulke acompanha o que pode ser considerado o maior desafio da carreira dos músicos: uma apresentação no North Sea Jazz Festival, em Rotterdam, um dos mais importantes festivais do gênero. “É uma história muito curiosa sobre como o jazz, um gênero tipicamente americano, sobreviveu a todas as mudanças num país tão peculiar como a China”, diz Aliche.

02/05, sexta, 18h30, CINEMATECA
07/05, quarta, 17h30, CCSP SALA 2
08/05, quinta, 15h, CINESESC


Harry Dean Stanton: Partly Fiction (2012), de Sophie Huber

Aos 86 anos, o ator norte-americano Harry Dean Stanton (Paris, Texas, A última tentação de Cristo), é retratado pelas lentes da então estreante Sophie Huber. Dessa vez, ao contrário dos mais de duzentos filmes em que atuou ao longo da carreira, Stanton não interpreta papel algum. As voltas de carro pelas ruas vazias de Los Angeles e algumas cervejas num bar que costuma frequentar há quarenta anos, dão conta de revelar, aos poucos e muito delicadamente, a personalidade de um dos maiores atores americanos vivos. Há algumas breves entrevistas com colegas como Wim Wenders, Kris Kristofferson, Debbie Harry – além de uma cena em que David Lynch interroga Stanton a respeito de algumas questões de sua vida. Numa colagem sensível, a música serve de fio condutor à medida em que ele interpreta canções clássicas que dialogam com a sua trajetória. Para Marcelo Aliche, este é um grande filme sobre um personagem muito peculiar que, apesar de próximo dos 90 anos, mantém-se vivo, vigente e produtivo.

05/05, segunda, 19h, CINESESC
06/05, terça, 20h, CCSP SALA 1

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sobre sete ondas verdes espumantes



A obra do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu – morto em 1996 por uma pneumonia em decorrência do vírus HIV – ganha uma nova interpretação. Além das adaptações ao teatro, os textos do autor, bem como sua biografia e depoimentos, são pela primeira vez, base para o longa metragem de Bruno Polidoro e Cacá Nazario, Sobre sete ondas verdes espumantes. O autor é o próprio Caio, cujas visões sobre diversas cidades do mundo influenciaram as lentes dos cineastas. “O foco central era assumir que, mesmo morto, Caio era narrador do filme”, conta Bruno Polidoro. O diretor revela que a maneira de interpretar cidades e textos, através do próprio texto, foi um desafio. Em quadro, depoimentos de amigos de Caio Fernando Abreu, como Adriana Calcanhotto e Maria Adelaide Amaral, contam com leituras dos textos do autor, que, mais uma vez, aponta o caminho do filme.

Dividido em sete partes, como sugere o título, Sobre sete ondas verdes espumantes procura refletir sobre sentimentos que marcaram os diretores: Da solidão; Do espanto; Do amor; Da melancolia; Do transbordamento; Do ir-remediável; Para além dos muros. A forma não-convencional de cinema documental assustou os diretores: “Tínhamos medo de fazer algo tão intimista e radical, que não alcançasse público”, afirma Bruno. No entanto, o filme foi selecionado para o festival de cinema documental É Tudo Verdade, em 2013, e alcança o circuito carioca e paulistano nesta semana. Em São Paulo, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) dispõe de dois horários para os espectadores, até esta quarta-feira (30 de abril). Há quatro semanas em cartaz em Porto Alegre, Sobre sete ondas verdes espumantes já possui exibição confirmada em Aracaju e Florianópolis.



Patrícia Homsi

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Velha roupa colorida

Essa noite, ao abrir a janela do meu quarto, senti uma espécie de dor ao me deparar com uma cena, em um dos apartamentos vizinhos. Tratava-se, essa dor, de lembranças de um "amor passado". Decidi refletir sobre isso. Achei que esse "passado" não merecia ser lembrado na forma de qualquer sentimento. E, ainda divagando, compreendi que meu gozo nesse sofrimento reside numa "demanda de amor" (os lacanianos que não me analisem). Quero amar na "leve, como leve pluma(...) simples e suave coisa", mas também quero amar de forma "suave coisa nenhuma". Enquanto pensava nisso tudo, Falso brilhante girava na vitrola. E ao despertar daquele estado contemplativo, que um insight nos propicia, e andar em direção a sala, ouço a musica que me diz: No presente a mente, o corpo é diferente e o passado é uma roupa que não nos serve mais. Desconfio que tive um outro insight.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Os "Rabiscos" de Flora Próspero

Flora Próspero tem 21 anos e é natural de Ituiutaba – MG. Começou a desenhar ainda criança com influência do pai, criando figuras humanas de uma forma mais lúdica e animada. Denomina seu estilo também como “Rabiscos”, pois enxerga em seus desenhos algo que é espontâneo junto à sua distração (ou devaneios). Utiliza do nanquim como a base nos desenhos, além do preenchimento com muitas cores e texturas. Mistura técnicas tradicionais, como a aquarela, com outros complementos digitais. Tem o desenho como um grande e bom vício e assim, produz o aquilo que sente, imagina e deseja expressar. Reune em seus desenhos o lúdico, o animado, a expressão e o existencial. Seus trabalhos estão à venda na loja Quadrela, em Uberlândia.











quinta-feira, 10 de abril de 2014

A arte fotográfica de Mariana Cecílio



Mariana Cecílio é artista plástica, fotógrafa de baixa resolução, apaixonada pela pelicula análogica. Com a câmera em mãos tudo é possibilidade. O ato é puramente instintivo, sem muitos cálculos ou planejamentos, o que dá errado é sempre o mais certo que poderia ter acontecido. Experimental na essência. Em tudo que vê, enxerga sua essência fotográfica, e no olhar mirando automáticamente as coisas simples e imediatas. Seu trabalho está à venda na loja Quadrela, em Uberlândia.













sexta-feira, 4 de abril de 2014

Uma odisséia americana

A Taschen lançou um livro com as primeiras fotografias a cores da América do Norte. An American Odyssey mostra o arquivo da Companhia Fotográfica de Detroit, revelando fotos que vão desde 1880 até o inicio dos anos 20. Milhares de negativos em preto e branco foram reproduzidos com cores através de uma técnica de fotolitografia inventada na Suiça, o Photochrom.

O designer gráfico, fotógrafo e colecionador Marc Walter possui uma das maiores coleções do mundo de fotografias vintage de viagens, ou mais especificamente Photochroms, e é co-autor do livro.

Pedro Pezte















quinta-feira, 27 de março de 2014

Centenários sob olhar de Anastasia Pottinger

A fotógrafa americana, Anastasia Pottinger, recebeu uma visita inesperada em seu estúdio: uma mulher com mais de 100 anos de idade que gostaria de ser fotografada nua. A única coisa que a senhora pediu foi que sua identidade não fosse revelada, e posou completamente nua, exibindo, sem pudor, cem anos de rugas e marcas em seu corpo.

"Mais tarde, quando olhei as fotos em meu computador, sabia que tinha em mãos algo especial", diz Pottinger, que começou a buscar novas voluntárias e criou o projeto fotográfico Centenarians. Segundo ela, o trabalho gera reações diversas em quem o vê. Alguns observam, imaginando se um dia ficarão assim. Outros veem nas rugas lembranças de entes queridos, e alguns apenas ficam curiosos, querem saber como Pottinger consegue modelos dessa idade. A artista conta que, na maioria das vezes, elas vêm por indicação de um filho, amigo ou parente. Em seu site, diz que pretende continuar o trabalho, e deixa até seu contato para indicações de modelos.