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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Escrever

Escrever.
Não posso.
Ninguém pode.
É preciso dizer: não se pode. E se escreve.
É o desconhecido que trazemos conosco; escrever, é isto que se alcança.
Isto ou nada.
Marguerite Duras

Último dia do ano. Escrever? Escrevo. Hoje, decidi disfarçar a solidão. Visitei minha família e os abracei. Ao voltar para casa, observei um bando de pássaros à chilrear no céu. Quis muito saber aonde iam. Quem sabe partiam sem rumo, ao desconhecido à procura da paz. O sinal abriu, continuei minha rota e os perdi da vista. Aonde foram, eu desconheço. Deixaram em mim o gorjear desesperado e o desconhecido que trago em mim hoje.

Último dia do ano. Escrevo. Um café quente e amargo repousa numa xícara sobre a mesa em que escrevo. Observo esse liquido escuro que exala o aroma das minhas manhãs. É noite. A última noite de mais um dia que morre a cada instante na vastidão do tempo e que estará morto no ontem.

Primeiro dia do ano. Enquanto escrevo, fogos de artificio ejaculam cores no céu e roubam a paz dos cães. Não me incomodo, escrevo. O café continua imóvel sobre a mesa, mas sinto que perdera a virtude da bebida. Já não exala mais o aroma forte das minhas manhãs. É tempo de parar. Deixar o lápis e o papel e ir em busca do que me espera. Outra xícara com café bem quente e amargo me espera. Mas é ao desconhecido que vou. Ao desconhecido que me espera, que não se pode escrever, mas se escreve. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O tempo passou
no relógio
no pulso
daquele
poeta.

O tempo passou
na retina
do olho
daquele
que viu,
no instante
que leu
a palavra
no verso
daquele
poema.

O tempo ficou
na memória
da alma
daquele
leitor.

F. Borma

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Kind of blue

A vida é cinza, frívola e banal, 
como esta tarde nublada 
que me esfria a pele 
e o sentimento. 
Mas é "Kind of Blue", 
cálida e insólita 
quando ouço Miles Davis, 
como a folha em branco 
que se oferece nua 
para compor mais um poema.

F. Borma

 

domingo, 16 de novembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Noite branca

El viento vuelve desnudo
la esquina de la sorpresa,
en la noche platinoche,
noche que noche nochera.
Federico García Lorca

Por trás de prédios, casas e antenas
a lua ofereceu seu pálido seio
e derramou leite sobre a cidade.
Ouviu-se naquela noite
um ladrar harmônico de cães
e uma festa orgíaca de gatos.
Prostitutas foram beijadas,
bêbados cantaram afinados
e poetas beberam o leite.
Depois de saciar toda a gente,
a lua escondeu seu seio no horizonte
e emprestou seus filhos ao Sol.

F. Borma

sábado, 1 de novembro de 2014

Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Adélia Prado, in "Bagagem"

domingo, 5 de outubro de 2014

A Noite

A Noite, negra estátua da prudência, tem
o espelho redondo da lua em sua mão(...)

A corrente do tempo se remansa e se ordena
nas formas numéricas de um século e outro século.
E a Morte vencida se refugia tremendo
no circulo estreito do minuto presente.

Federico García Lorca, in "Poemas esparsos"

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os discos preferidos de Caetano






De muitas músicas é feito o repertório de Caetano Veloso. O pessoal do funk carioca experimenta muito. E é muito audacioso na abordagem de temas sexuais, diz, dando um exemplo do que anda ouvindo. Por outro lado, você encontra um Thiago Amud, que tem atitude vanguardista culta e excelente tratamento técnico. Também os jovens rappers, como Criolo e Emicida, apresentam trabalho inovador e forma um vasto público, completa.

Em sua lista, Caetano elenca, além do funk, o axé music, a música popularesca do carnaval da Bahia, que pega uma tradição que era forte no Rio dos anos 1950 e a reatualiza repetidas vezes, desde os anos 1970, explica. Gosto de coisas que são fenômenos comerciais. E encontro espírito de busca na geração de meu filho, Moreno, e em alguns muito mais jovens. Música popular é uma forma de divertimento que sempre foi forte no Brasil. Apesar do gosto eclético, o músico fez uma lista para o EL PAÍS dos seus discos preferidos:


   
Chega de saudade, O amor, o sorriso e a flor e João Gilberto, os três primeiros álbuns de João Gilberto

Ben, Jorge Ben

 
  Ou não, Walter Franco

Quem é quem, João Donato

Recanto, Gal Costa


Ainda na lista: Caymmi e seu violão, de Dorival Caymmi; Brasileirinho, de Maria Bethânia; Coisas, de Moacir Santos; Falso brilhante, de Elis Regina; O passo do Lui, dos Paralamas do Sucesso e Cabeça dinossauro, dos Titãs.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Segunda-feira

Carros riscam o asfalto de borracha negra
Pessoas maltratam e se tratam na labuta
A cidade urge ao meu redor
Eu vivo
Acordo
Aceito
Trabalho
Como
Estudo
Maltrato,
me trato
Desejo
Deleito
Suporto
Leio
Reflito
Escrevo
me deito
Reviro
Suspiro.
Amanha será terça-feira.
E, sem estar certo disso,
faço nota e adormeço.

F. Borma

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Curió

Curió, pseudônimo de Rhayani Paschoalim, enxerga o mundo, cores e coisas que nele habitam, de forma simples e sincera. E foi através de tantas visões e sensações que embarcou no mundo lúdico e sensível da ilustração.

Essa querida paranaense acaba de ilustrar meu livro, "amando palavras", e expõe seu trabalho, na Casa Par, de 12 de setembro à 3 de outubro. A Exposição Curió reúne uma coletânea de 17 personagens criados entre 2013 e 2014, inclusive, algumas ilustrações do livro.

Na auspiciosa noite de abertura, iluminada com acordes dos queridos Jack Will e Madruga, nos embriagamos de afeto, chás deliciosos, traços, cores, formas e poesia. Aqui vai o registro desta noite, feito por uma alma (curio)sa, que faz poesia com as lentes de uma câmera, a amada Thaneressa Lima.

Exposição Curió
A Casa Par
Rua Rodolfo Corrêa, 69 - C2
Bairro Lídice - Uberlândia/MG
12/09 a 0310 - das 9:00h às 18:00h